Mostrando postagens com marcador classico. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador classico. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Sonhos de Bunker Hill, de John Fante


Capa do livro Sonhos de Bunker Hill de John Fante


O romance tem por protagonista Arturo Bandini, um jovem escritor que deixa o Colorado para ir morar em Los Angeles. Apesar de o livro ter sido escrito nos anos oitenta, é ambientado nos anos trinta, época de ouro do cinema americano.

Ao chegar em Los Angeles, Bandini, alter ego de Fante, vai morar no subúrbio, no bairro Bunker Hill. Após ficar um tempo trabalhando como garçom, tem um dos seus contos publicado em uma revista.

Fotografia de John Fante

Hollywood engole Bandini


A boa aceitação de seu conto fez com que algumas portas se abrissem para Bandini, que deixa o emprego de garçom para trabalhar em Hollywood como roteirista. Com isso, Bandini rapidamente ascende na pirâmide social, deixando para trás o subúrbio e as dificuldades financeiras. Contudo, a trajetória de Bandini em Hollywood se mostra tortuosa, envolvendo-se tanto com bebidas quanto com mulheres.

Em determinado trecho, Bandini afirma ter a impressão de que as pessoas em Hollywood aparentam ser apenas nomes, ou seja, como se não fossem reais. Aliás, tudo ali parece ser irreal e superficial, fato que fez com que Bandini se sentisse deslocado nesse ambiente — ao contrário de Bunker Hill, onde ele era capaz de ordenar seus pensamentos e se sentir seguro e vivo.

Com isso, vemos que a periferia da cidade, sendo o lugar onde o cotidiano de boa parte da população se dá, tem uma materialidade maior do que Hollywood, lugar de entretenimento e espetáculo, que se mostra frio e impessoal. Conforme a história vai se desenrolando, cada vez mais Bandini vai se perdendo. Quando deixou o Colorado, ele buscava em Los Angeles e na literatura uma forma de sentido para a sua vida; contudo, ele não foi capaz de encontrar esse sentido ali.

Sua formação católica e, consequentemente, dogmática permanece em constante embate com a sua formação artística, de caráter mais liberal. A sua aparente necessidade de sexualizar todas as mulheres, sua constante dificuldade de consumar as relações sexuais e o posterior arrependimento de "estar em pecado" mostram esse embate que ocorre na consciência do personagem, que vive transitando entre o divino e o profano.

A rápida ascensão de Bandini, sem ter uma produção literária consolidada, fez com que ele não se sentisse seguro para escrever, pois ficava com a sensação de que, tão rápida e fácil quanto foi a sua ascensão, a queda seria na mesma medida.
Fotografia do suburbio de Los Angeles

Somou-se a isso a desilusão do personagem com Hollywood e a não valorização ou busca pelo talento verdadeiro. O estúdio que o contrata não lhe dá projetos para trabalhar e, quando lhe dá, o resultado final é completamente diferente daquilo que ele escrevera.

Em uma época em que a indústria do entretenimento alcançava um patamar nunca antes visto, diversos jovens escritores talentosos se dirigiram até Hollywood em busca de fama e reconhecimento; contudo, esse mundo de nomes e não de seres humanos os sugou para dentro de si. Perderam-se muitos talentos em meio a esse turbilhão, restando ao leitor a expectativa referente ao futuro de Bandini.

Nota: 10.




quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

O processo, de F. Kafka


Capa de O processo, de F. Kafka

Nesse romance de Kafka, o leitor é carregado por caminhos tortuosos e desconhecidos. Durante esse trajeto, somos tragados junto ao personagem, sem a possibilidade de escapatória, pela engrenagem organizacional de um sistema público extremamente contraditório.

Resenha de O Processo


Nessa viagem, o leitor acompanha as desventuras de Josef K., que vivia uma vida tranquila, segura e livre de surpresas. Josef possuía um bom emprego em um banco, emprego que lhe possibilitava um local de trabalho organizado e seguro, compatível com a sua personalidade meticulosa. Essa vida confortável começa a mudar após, na manhã do seu aniversário de trinta anos, receber a comunicação de que estava sendo processado.

De início, Josef desacredita da existência desse processo, pensando estar sendo alvo de algum tipo de brincadeira. Essa atitude demonstra que ele não reconhece nenhum tipo de falta no seu comportamento que justifique um processo.

"É certo que, bem considerado, tudo isto não podia deixar de ser uma brincadeira pesada, a qual, por razões desconhecidas, talvez pelo fato de que hoje K. completava trinta anos, seus colegas de banco haviam organizado".

Contudo, não se tratava de brincadeira; Josef realmente está sendo processado por uma justiça que ele desconhece por completo. Ao ter o primeiro contato com essa justiça, Josef facilmente reconhece o caráter absurdo dela. Os responsáveis por intimá-lo em sua casa são tomados pelo mesmo como artistas de rua contratados para enganá-lo. Para ele, tudo não passa de uma farsa; com isso, não demonstra preocupação com o desenrolar do seu processo.

Tudo muda ao ser intimado a comparecer em seu primeiro interrogatório. Acreditando ter nesse interrogatório a oportunidade de esclarecer o motivo de seu processo, bem como encerrar o mesmo, Josef chega ao prédio de justiça confiante. Contudo, o interior do mesmo, bem como os funcionários públicos, fazem com que ele se sinta confuso, sendo que, para ele, essa justiça se mostra destituída de sentido e corrupta.

"Qual é a finalidade desta grande organização, meus senhores? Consiste em deter inocentes e em mover-lhes um processo insensato e, na maioria das vezes, como é o meu caso, carente completamente de resultados".

Essa justiça se apresenta para ele destituída de significado, porquanto torna a tarefa de defesa do acusado quase impossível, pois o mesmo desconhece o motivo de seu processo e os agentes dessa justiça tampouco buscam esclarecê-lo.

A repartição pública na qual desempenham suas funções é apresentada como um local de pesadelo. O ambiente é degradante, como se espelhasse a personalidade dos agentes públicos. Sua hierarquização em repartições é destituída de sentido e ordem, servindo apenas como forma de legitimar o poder de uns sobre os outros. Sua lei é baseada no poder, estando o acusado no último degrau dessa escada. Com isso, para fugir de uma possível condenação, ele não deve se amparar na lei, mas sim se utilizar de meios escusos para tanto.

Josef, ao ter contato com essa organização, decide se manter distante da mesma, buscando retornar para a sua vida normal. Contudo, sua vida começa a ser afetada pelo processo, pois este se configura como uma mancha na sua honra, necessitando ser solucionado. Devido à influência de seu tio, Josef procura um advogado. Esse advogado, um estudioso das leis e conhecedor da justiça, se mostra incapaz de traduzi-la para Josef de forma racional e ordenada.

Um pesadelo acordado


Josef vai aos poucos sendo sugado por esse novo mundo que surge diante de seus olhos; todo o seu conhecimento e racionalidade são inúteis diante de tal justiça, porquanto a mesma não tem sentido. Nessa justiça, o acusado não tem acesso ao seu processo, impossibilitando, com isso, uma defesa. A absolvição se mostra quase impossível, podendo o acusado apenas retardar ao máximo sua condenação.

"...no fundo a lei não admitia nenhuma defesa, mas tão somente a tolerava e até parecia perguntar-se se verdadeiramente não seria mister pôr em tela de juízo aqueles pontos dos códigos segundo os quais teria ao menos de admitir a defesa".

Desenho de um homem escrevendo com uma expressão de assustado

Com isso, a justiça não se mostra como uma possibilidade de resolução de conflitos advindos da vida em sociedade, mas sim como uma organização à parte da sociedade, com suas próprias regras, que busca apenas se autossustentar. Para tanto, é organizada de forma a sugar o acusado, devendo seus funcionários tirarem o máximo proveito das vantagens sobre o acusado. Nessa engrenagem corrupta e destituída de sentido, orbitam não somente funcionários públicos, mas também crápulas que se aproveitam de suas relações para tirar proveito.

Configura-se uma rede de relações entre os mais variados degraus dessa hierarquia, onde a verdade é apenas um detalhe, sendo esses homens — tidos como conhecedores da justiça — movidos pelas necessidades mais egocêntricas, tais como a necessidade de se autopromover e a necessidade de dominação sobre o próximo.

"...o cliente terminava por esquecer-se de todo o mundo e arrastar-se seguindo caminhos incertos, com a esperança de alcançar o término do processo. Então já não era um cliente, mas o cachorro do advogado. Se este lhe tivesse mandado que se metesse debaixo da cama, arrastando-se, como se se tratasse da casinha do cachorro, e que dali ladrasse, o cliente o teria feito com satisfação".

Apesar de Josef tentar não ser influenciado pelo processo, ele vai sendo gradativamente sugado pelo sentimento de opressão e desconhecimento do novo mundo no qual está inserido; com isso, sua vida vai saindo dos eixos, perdendo o mesmo toda a segurança e parte de sua sanidade. A engrenagem de uma organização pública, fundamental para a vida em sociedade, vai tragando aqueles desafortunados que, por motivos desconhecidos, caem em suas amarras, sendo lentamente sugados pelo absurdo.

"Onde estava o juiz que nunca tinha visto? Onde estava o alto tribunal ante o qual nunca comparecera?"




















segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Notas do Subsolo, de Fiodor Dostoievski


Capa do livro Notas do Subsolo, de Dostoievski

Ao ler Notas do Subsolo, romance publicado em 1864, adentramos de cabeça no labirinto escuro da mente humana. A inteligência e a cultura do autor das memórias não facilitam essa viagem, porquanto, ao racionalizar todos os fatos relacionados à existência humana, o autor traz mais questionamentos do que certezas sobre os mais variados temas.

Resenha de Notas do Subsolo

Pintura de um jovem na natureza olhando para o nada

Todos os fatos relacionados à vida do autor das memórias são apresentados pelo próprio autor; com isso, não somos capazes de separar as verdades das mentiras. Enxergamos todos os eventos pelos olhos do narrador, que, em diversos momentos, nos alerta a não confiar no que ele diz.

No transcorrer da primeira parte do romance, o autor das memórias busca desmistificar, através do questionamento, fatos e certezas largamente propagados pelas ciências humanas no século XIX. O positivismo, bem como as ideias naturalistas, são amplamente atacados.

Os ideais capitalistas e socialistas também são alvos, porquanto, segundo ele, buscam revelar um mundo em que o ser humano segue um determinado padrão ou regra. Seja o capitalismo, onde se acredita que a busca pelo desenvolvimento pessoal e a livre concorrência contribuem para o desenvolvimento da sociedade, ou pelas ideias socialistas, onde o bem-estar social e a coletividade estariam no centro da preocupação humana, contribuindo para um mundo melhor.

"O homem, invariavelmente e em todo lugar, quem quer que ele seja, sempre gostou de fazer o que quis, e não como mandam a razão e o interesse próprio; ele, inclusive, pode querer algo contra seus próprios interesses, e às vezes até deve indubitavelmente querê-lo."

Para ele, o ser humano é guiado pelas suas vontades, sendo boa parte delas inexplicáveis e incompreensíveis; com isso, não há como, através da razão, racionalizá-las ou prevê-las.

"E por que os senhores estão assim tão firmes e solenemente convencidos de que apenas o que é normal e positivo, ou seja, o bem-estar, é vantajoso para o homem? A razão não estará cometendo um erro quanto às vantagens? Quem sabe o homem ame não apenas o bem-estar? Quem sabe ele ame igualmente o sofrimento? Quem sabe o sofrimento é para ele tão vantajoso quanto o bem-estar? O homem, às vezes, ama o sofrimento de maneira terrível, apaixonada; isso é um fato."

O autor questiona os valores modernos embasados na racionalidade, mostrando quão perverso e inconstante o ser humano pode ser. Segundo ele, existem dois tipos de homens: os homens de ação e os homens de consciência amplificada.

Para ele, o homem de ação não está preocupado com as implicações filosóficas de seus atos; ele simplesmente encontra um objetivo e lança-se a ele sem pensar muito. Esse homem, diante de sua vontade, é capaz de se apegar a qualquer justificativa, por mais absurda que seja, para o seu ato. Ele é um imbecil, sendo o verdadeiro homem criado pela mãe natureza.

"Ele é um imbecil, indiscutivelmente, mas pode ser que o homem normal deva ser mesmo um imbecil, quem sabe? Pode ser que isso seja até muito bonito."

Já o homem de consciência amplificada é a antítese do homem normal, sendo que, ao contrário deste, ele não surgiu da natureza, mas sim de um tubo de ensaio. Ele é fruto de sua época, introjetando todo o discurso científico e lógico com o qual tem contato. Contudo, essa consciência faz com que o mesmo seja incapaz de agir, porquanto a consciência acaba sendo uma doença, por levar o homem a uma série de questionamentos, impedindo-o de agir e gerando um estado de inércia.

"O homem de proveta às vezes vai dobrar-se tanto diante de sua antítese que, com toda a sua consciência amplificada, honestamente vai se considerar um camundongo, e não um homem."

"Por acaso um homem com consciência pode ter amor-próprio?"

Segundo o autor das memórias, o homem de ação é ativo pois é limitado; ele é capaz de rapidamente se vestir de qualquer motivo para legitimar sua causa, sem questionar-se sobre esses motivos, ele simplesmente age. Já o homem de consciência amplificada possui muitas dúvidas e incertezas e está sempre pronto a rever seus motivos, inutilizando, com isso, a ação.

"Onde estão os fundamentos? De onde vou tirá-los? Faço uma ginástica mental e, em consequência, cada motivo original imediatamente arrasta atrás de si outro, ainda mais original, e vai por aí fora, até o infinito."

Esse homem questionador não irá encontrar o seu lugar no mundo, indo habitar no subsolo. Com isso, o mesmo não é arrastado para o subsolo, mas sim, de boa vontade, o habita. Não há outro lugar para ele; o mundo pertence ao homem de ação, sendo o subsolo o local destinado ao homem de consciência amplificada, por ser incapaz de se enganar.

Em uma Europa dominada pelo culto à razão, justamente a mesma acaba sendo responsável por impossibilitar o convívio em sociedade, sendo o ato de se iludir necessário para se viver em sociedade.

"Eu apenas levei às últimas consequências na minha vida aquilo que os senhores não tiveram coragem de levar nem à metade, e ainda por cima acharam que sua covardia era bom-senso, consolando-se e enganando a si próprios com isso."

Gostou da resenha ? Aproveite e leia outras resenhas de grandes obras da Literatura russa:















domingo, 8 de fevereiro de 2015

Capitães da areia, de Jorge Amado




Capa do livro Capitães da areia, de Jorge Amado. Meninos lutando capoeira


O romance Capitães da Areia pode ser entendido como uma metáfora dos dilemas e controvérsias da sociedade brasileira do início do século XX, pois o livro traz à tona a problemática do abandono da maioria desfavorecida, simbolizada pela figura dos Capitães da Areia.

Resenha de Capitães da areia


Os Capitães da Areia, um grupo de meninos abandonados que vivem em um galpão, simbolizam a parcela do povo negligenciada pelo Estado e inconformada com sua situação. Eles unem-se, criando uma sociedade à margem e dona de suas próprias regras. Evidentemente, nenhum dos garotos do romance gostaria de estar nessa situação, mas a mesma lhes foi imposta.

"Desde aquela tarde em que seu pai, um carroceiro gigantesco, foi pegado por um caminhão quando tentava desviar o cavalo para um lado da rua, João Grande não voltou à pequena casa do morro. A cidade da Bahia, negra e religiosa, é quase tão misteriosa como o verde mar. Por isso, João Grande não voltou mais. Engajou com nove anos nos Capitães da Areia."

Estando eles abandonados, criam um movimento de união e organização pautado na tentativa de garantir a sobrevivência. É interessante notar que, através dessa organização, eles ganham confiança e coragem para não só sobreviverem, mas também para, através da força, se apropriarem do que consideram seus por direito, através de roubos e violência.

"No começo da noite caiu uma carga-d'água. Também as nuvens pretas logo depois desapareceram do céu e as estrelas brilharam; brilhou também a lua cheia. Pela madrugada os Capitães da Areia vieram. O Sem-Pernas botou o motor para trabalhar. E eles esqueceram que não eram iguais às demais crianças, esqueceram que não tinham lar, nem pai, nem mãe, que viviam do furto como homens, que eram temidos na cidade como ladrões. [...] Esqueceram tudo e foram iguais a todas as crianças, cavalgando os ginetes do carrossel, gozando com as luzes."

Percebe-se que os jovens excluídos, após organizarem-se, julgam-se donos do território em que praticam seus roubos. Os personagens andam pelas ruas da cidade baiana sentindo-se reis caminhando em seu reino. É interessante notar a mudança na forma de pensar da personagem Dora, uma menina que, após a morte da mãe, vê-se, juntamente com o seu irmão, abandonada à sua própria sorte. Dora, quando sai com seu irmão pela cidade em busca de emprego, enxerga-a com um olhar totalmente oposto do olhar que apresenta após incorporar-se aos Capitães da Areia. Antes de incorporar-se aos capitães, Dora via a cidade como um lugar ruim, sentindo-se totalmente excluída dela.

"As luzes se acenderam e ela achou a princípio muito bonito. Mas logo depois sentiu que a cidade era sua inimiga, que apenas queimava os seus pés e a cansara."

Após incorporar-se aos capitães, ela passa a ver a cidade de outra forma, sentindo-se pertencente a ela. Os Capitães da Areia representam uma parcela da sociedade que, inconformada com sua exclusão, organiza-se formando uma sociedade utópica, no sentido de se acharem no direito de contrariar a ordem estabelecida, buscando, através da força, apropriar-se do que acreditam ser seus por direito.

Meninos brincando na areia

"Tinha vontade de se jogar no mar para se lavar de toda aquela inquietação, a vontade de se vingar dos homens que tinham matado seu pai, o ódio que sentia contra a cidade rica que estendia do outro lado do mar, na Barra, na Vitória, na Graça, o desespero da sua vida de criança abandonada e perseguida."

Temos, com isso, a metáfora da luta de classes do mundo contemporâneo. Temos a minoria que detém o poder, representada pelos burgueses assaltados pelos meninos; o aparelho de repressão do Estado, simbolizado pela polícia e pelo reformatório; e o povo, representado pelos meninos abandonados que buscam, através da união, formas de garantir a sua sobrevivência. 
O romance de Jorge Amado, que foi proibido e queimado em praça pública por ser considerado uma obra de cunho comunista, traz à tona os dilemas e contradições da sociedade capitalista contemporânea. Dilemas esses que permanecem presentes no cotidiano das cidades brasileiras.

"Companheiros, vamos pra luta..."