segunda-feira, 25 de abril de 2022

Dança com a morte, de Jeffery Deaver

Capa do livro Dança com a morte de Jeffery Deaver



Um assassino profissional é contratado para eliminar três testemunhas que irão depor no julgamento de um criminoso poderoso. 

O detetive Rhyme , ex policial genial que ficou tetraplégico, é convocado para tentar capturar um dos assassinos mais temidos e inteligentes,chamado pelo FBI de "dançarino da morte", antes que ele elimine todas as testemunhas . 

Com a ajuda de uma equipe de policiais experientes  e, principalmente, de sua capacidade de raciocínio, Rhyme enfrentará o maior desafio de sua carreira, jogando uma verdadeira partida de xadrez com o maior assassino do mundo.

Homem na cama e mulher olhando para ele


Essa obra é uma continuação do livro " O colecionador de Ossos" , que virou um filme de sucesso estrelado por Denzel Washington e Angelina Jolie. 

O livro é o que chamam de thriller , no qual a narrativa se desenrola em um ritmo frenético. Contudo, a história não se resume apenas a isso .

  Percebe-se um grande cuidado por parte do autor na construção do quebra-cabeça da narrativa , para proporcionar um bom passatempo sem se utilizar tanto dos clichês do gênero. 

Página do livro. Um homem em pé ao lado de uma cadeira de rodas.

A policial Amélia, uma espécie de auxiliar de Rhyme, preenche as lacunas deixadas pela falta de mobilidade do protagonista, sendo seus olhos e ouvidos em campo. A sua impulsividade  contrasta com a frieza, baseada em raciocínio lógico, de Rhyme ,dando uma dinâmica interessante a dupla.

Por fim, é um livro altamente recomendado para aqueles que querem mergulhar em uma rápida e interessante história policial que pode ser lida em poucos dias, sendo um desses livros em que as páginas viram sozinhas.




terça-feira, 19 de abril de 2022

Kaschtanka e outras histórias, de Anton Tchekhov

 

Capa do livro Kaschtanka e outras histórias de Tchekhov

O pequeno livro de contos do escritor russo Anton Tchekhov impressiona pela leveza das histórias. Nesse livro, somos agraciados com sete pequenos contos que retratam com leveza o cotidiano da Rússia pré-revolucionária.

O conto que dá nome ao livro é sobre uma cachorra castanha (daí o nome Kaschtanka, castanho em russo) que se perde de seu dono, habitando na casa de um artista. Apesar de ser o conto mais extenso, outros contos acabam encantando o leitor, como a história de um rapaz em férias que, sempre quando desce um morro em um trenó na companhia de uma amiga, diz "eu te amo". A moça fica sempre indecisa se realmente ouviu aquelas palavras ou se foi o seu nervosismo pregando-lhe uma peça.

Outro conto que se destaca é a história de um oficial que, após um cachorro morder um senhor na rua, fica em dúvida sobre qual atitude tomar, pois teme que o cachorro possa pertencer a alguma autoridade. Essa coletânea de contos pode ser uma boa porta de entrada para o universo de Tchekhov e da literatura russa. 
É uma leitura leve e agradável.

segunda-feira, 18 de abril de 2022

A vida como ela é... de Nelson Rodrigues

 

Capa do livro A vida como ela é de Nelson Rodrigues

O livro de contos de Nelson Rodrigues, selecionados por Ruy Castro, narra o cotidiano da cidade do Rio de Janeiro cheia de seres humanos alienados em seus desejos sexuais.

Somos apresentados a mais de 40 contos, na maioria com apenas três ou quatro páginas, com a infidelidade como tema principal. Alguns contos são interessantes, contudo muitos são demasiadamente curtos, não dando chance de o leitor se aprofundar na trajetória dos personagens. 

A fórmula da maioria dos contos é a mesma; reina um determinismo sexual baseado em muito senso comum, como:

Homens só pensam em sexo; Mulheres desejam secretamente trair; Casamentos são malsucedidos.

Fotografia de Nelson Rodriguez

Essa é a fórmula da maioria dos contos. Apesar disso, alguns contos são interessantes e auxiliam na reflexão de como a questão sexual era um tabu na época, ao ponto de Nelson Rodrigues ser duramente criticado.


Vale também a menção à série exibida na TV Globo nos anos 90, onde vários desses contos foram adaptados.

Imagem da série da TV globo A vida como ela é





domingo, 7 de junho de 2020

Grandes Esperanças, de Charles Dickens




Capa do Livro Grandes Esperanças de Charles Dickens

Charles Dickens publicou esse romance em 1861, e foi um dos últimos romances publicados pelo autor já consagrado na época. Dickens é conhecido como um escritor capaz de discutir temas relacionados à sociedade inglesa (que vivia o fervor da industrialização) de forma leve, criando personagens marcantes e uma literatura de fácil assimilação pelo público. Ou seja, seus livros eram capazes de atrair as mais variadas camadas da sociedade. Com isso, ainda em vida, Dickens desfrutou de seu sucesso, sendo uma celebridade no Reino Unido.

Fotografia de Charles Dickens


Resenha de Grandes Esperanças


O romance Grandes Esperanças tem por protagonista Pip, um garoto pobre, que após ajudar um prisioneiro foragido, tem sua sorte mudada, tendo a chance de ascender na pirâmide social. Pip mora com sua irmã e o marido dela, seu grande amigo Joe, em uma casa simples. Ele admira muito o seu cunhado, os dois demonstram uma amizade forte e bonita. Sem grandes esperanças, devido à condição financeira, ele espera ser iniciado na profissão de ferreiro, exercida por Joe, quando crescer.

Um dia, enquanto caminhava pelo cemitério da localidade, conhece um foragido que o obriga a ajudá-lo. O menino com medo traz no dia seguinte comida e uma ferramenta para que ele possa se desvencilhar de sua corrente. Pip, devido a um misto de medo e piedade, ajuda o foragido que no dia seguinte acaba capturado.

Anos depois, Pip é convidado por uma senhora que habita um casarão na cidade a frequentar sua casa. Pip passa a visitá-la e a receber aulas de boas maneiras. Essa senhora, devido a uma decepção amorosa, vive reclusa em sua mansão, tendo por única companhia sua filha adotiva. Pip se apaixona pela menina e sonha um dia desposá-la. Após receber a visita de um advogado, Pip descobre ter um benfeitor misterioso que lhe ajuda a se transformar em um cavalheiro. Para tanto, Pip deixa a localidade pobre e vai morar em Londres.

No início da história, Pip tem por esperança ser um ferreiro, após ter sua sorte mudada, suas esperanças aumentam e ele vai aos poucos esquecendo a sua antiga vida e seus parentes. O fato de a sociedade não admitir o contato entre classes sociais faz com que Pip não se sinta à vontade junto aos seus parentes. Com isso, ele vai se afastando enquanto cresce, transformando-se em um estranho.

Capa do livro Grandes Esperanças de Charles Dickens


O amor que ele sente por Estela (filha adotiva da senhora que lhe recebia em sua mansão) faz com que ele fique cego para tudo. Ele acredita que a senhora seja a sua benfeitora e que um dia se casará com Estela, mas para tanto, ele precisa esquecer sua antiga vida e seus parentes.

Existe um abismo separando as classes sociais dominantes das classes sociais mais baixas, o que torna impossível transitar entre as duas. Pip acaba seduzido pelo luxo e comodidades da riqueza e abandona sua família e sua antiga vida, como se fosse incompatível para um homem em sua posição manter contato com os pobres. Contudo, o segredo da identidade daquele que o ajudou a ascender socialmente paira sobre Pip que, futuramente, será confrontado com essa verdade.

Um grande livro, tanto em tamanho, quanto em qualidade. Nota: 10


O continente, de Érico Veríssimo


Capa do Livro O continente de Érico Veríssimo



O romance O Continente é a primeira parte da trilogia "O Tempo e o Vento", do escritor gaúcho Érico Veríssimo. A trilogia tem por tema a vida de duas famílias gaúchas, abarcando mais de 150 anos da história do Rio Grande do Sul e do Brasil. As duas famílias principais são os Terras e os Cambarás. No primeiro romance, temos um contato maior com a família Terra.

Os Terras são agricultores obstinados e, muitas vezes, secos, que lutam para sobreviver em meio a um Rio Grande do Sul do final do século XVIII e início do XIX. Boa parte das tentativas dos Terras para progredir e ter uma vida mais confortável esbarra nas inúmeras guerras em que o Sul do Brasil se envolveu, algumas contra nossos vizinhos latino-americanos, outras entre o próprio povo brasileiro, como a Guerra dos Farrapos. Essas guerras trazem pobreza para o pequeno povoado em que a família vive, além de serem responsáveis por levar os homens da família para morrer no campo de batalha. Entre os Terras, destacam-se os personagens femininos, como Ana Terra e Bibiana (avó e neta).

Ana Terra

Ana Terra, após ter o sítio da família invadido por castelhanos e seu pai e irmão mortos, acaba indo habitar, com seu filho (fruto de um amor proibido), em Santa Fé, um pequeno povoado comandado pela família Amaral. A família Amaral é a grande antagonista tanto da família Terra quanto da família Cambará no transcorrer do romance.

Ana Terra, mesmo após as desgraças que assolaram sua vida, consegue se estabelecer em Santa Fé e criar seu filho, mostrando ser uma mulher forte com uma determinação sem fim. Como já foi dito, os homens da família Terra não são capazes de despertar grande interesse no leitor.


Pintura de casarão em Santa Fé, no Rio Grande doSul

Bibiana

A neta de Ana Terra, Bibiana, também se destaca nesse romance com a determinação e caráter da avó. É através de Bibiana que a família Terra se junta com a família Cambará.

Após chegar em Santa Fé, o capitão Rodrigo Cambará mexe com o pacato vilarejo e acaba casando com Bibiana. Sendo um homem amante de combates, festas e mulheres, Rodrigo se mostra a figura do brasileiro aventureiro, sempre em busca de aventuras e com nenhuma preocupação com o futuro. Ele surge como o primeiro grande protagonista masculino do romance. Podemos dizer que os Terras nos deram grandes protagonistas femininas e os Cambarás grandes protagonistas masculinos (o neto de Rodrigo e Bibiana, Licurgo Cambará, também se mostra um protagonista interessante na última parte do romance).
Pintura de Igreja antiga de Santa Fé no Rio Grande do Sul

Essa primeira parte da trilogia inicia-se no século XVIII e termina no final do século XIX. Somos apresentados às primeiras gerações dos Terras e Cambarás, com destaque para os personagens Ana Terra, Bibiana, capitão Rodrigo Cambará e Licurgo (Cambará). Acompanhamos, também, diversas guerras envolvendo ora disputas por territórios entre os países sul-americanos, ora disputas internas, com destaque para a tentativa do Rio Grande do Sul de ter autonomia em relação ao resto do Brasil.

Personagens marcantes 

Outros personagens, não pertencentes à família dos Terras e Cambarás, também se destacam, como o Padre Alonzo (início do romance), que dá a perspectiva dos espanhóis na época do Brasil colônia, e o personagem doutor Winter, um médico alemão, ateu, desiludido com a vida, que acaba chegando em Santa Fé e permanecendo ali pelo resto de sua vida.

Doutor Winter nos dá a perspectiva do estrangeiro, como uma perspectiva de fora sobre tudo que se passa em Santa Fé, sempre de forma sarcástica e crítica. Winter é o grande personagem intelectual do primeiro romance, sendo através dele trabalhadas algumas questões filosóficas envolvendo a questão do tempo. Contudo, essas questões são trabalhadas de forma desiludida pelo alemão.

A primeira metade de O Continente é fantástica, tornando difícil para o leitor largar o livro e ir fazer outras coisas. Já a segunda parte se arrasta um pouco, contudo também é muito boa e gera expectativas pelo que virá pela frente nos outros livros.

Livro nota 10.






quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Um estranho no ninho, de Ken Kesey

Capa do Livro Um estranho no ninho de Ken Kesey


Um Estranho no Ninho foi publicado nos Estados Unidos no ano de 1962 por Ken Kesey, que trabalhou durante a faculdade em um hospital psiquiátrico, lugar que foi a fonte de inspiração para o romance. O livro marcou época e foi adaptado, na década seguinte, para o cinema. O personagem principal foi interpretado por Jack Nicholson, vencedor do Oscar de melhor ator pela atuação no longa.

Enredo de Um estranho no Ninho

A história se passa em um hospital psiquiátrico, ambiente controlado pela enfermeira Ratched, conhecida como "A Chefona", que, através de jogos psicológicos, coage os pacientes a seguirem uma rotina rígida, que os torna totalmente passivos e destituídos da capacidade de tomarem suas próprias decisões.

O hospital é dividido em alas, e a história é centrada na ala dos pacientes que apresentam pouca propensão à agressividade. Eles são divididos em dois grupos: os agudos e os crônicos. Os crônicos são aqueles que apresentam pouca possibilidade de serem "curados" e retornarem para a sociedade, enquanto que os agudos são aqueles que respondem positivamente às técnicas empregadas pela enfermeira e pelos médicos.

Esse ambiente controlado e opressivo entra em colapso após a chegada de McMurphy, um presidiário transferido para o hospital devido a um comportamento classificado como anormal. Fica claro desde o início que McMurphy arquitetou sua ida para o hospital para fugir dos trabalhos forçados na penitenciária, desejando cumprir seus últimos meses de reclusão em um ambiente mais ameno e confortável.

Ao chegar à ala, McMurphy rapidamente assume o controle do lugar, não dando a menor importância às regras impostas pela "Chefona". McMurphy aposta com os pacientes que será capaz de dobrar a Chefona em uma semana. Contudo, a missão de McMurphy não foi simples, pois a Chefona possuía um arsenal de táticas de controle que garantiram a continuidade da sua ditadura naquele lugar.

A enfermeira Ratched não permite que ele desestabilize o ambiente controlado por ela. Com isso, a história é centrada no embate entre os dois, que rende grandes momentos devido ao confronto de personalidades e à discussão do que seria um comportamento considerado normal e o papel dos mecanismos de controle social na concepção dessa normalidade.


Cena do Filme Um estranho no ninho


Análise de Um estranho no ninho

O romance é narrado em primeira pessoa pelo personagem Chefe, um indígena de dois metros de altura que é um dos pacientes crônicos. O Chefe é tido por todos como surdo e mudo; com isso, os personagens não interagem com ele e, principalmente, os funcionários do hospital não se preocupam com o que dizem quando estão próximos dele.

Nós temos um narrador privilegiado pelo fato de ser quase invisível, apesar dos seus dois metros de altura. Contudo, o fato de o Chefe alternar entre momentos de lucidez e de psicose faz com que ele não possa ser considerado um narrador totalmente confiável. O Chefe acredita que existe uma organização, ligada ao governo, chamada de "A Liga", responsável por monitorar e controlar a sociedade, manipulando-a para que viva conforme os desejos e interesses da Liga.

O Chefe acredita que existem microfones escondidos em todos os cantos do hospital e que ocasionalmente a enfermeira dispersa no ar uma neblina, com o intuito de dificultar a capacidade de os pacientes pensarem e agirem. Também, durante a noite, ele vivencia momentos de terror na sua cama, pois acredita que o chão do dormitório é deslocado para o subsolo e lá, um lugar repleto de máquinas e robôs, os pacientes são torturados.

O fato de o Chefe apresentar psicose dá um toque especial à história, pois suas visões servem como alegorias e metáforas da situação vivenciada pelos pacientes que são a todo o momento sugestionados, podendo citar a música que toca em alto volume na enfermaria durante todo o dia, dificultando o desenvolvimento de pensamentos mais complexos, as medicações que provocam estado de letargia, as sessões em grupo, nas quais os pacientes são obrigados a exporem fatos da vida pessoal para que os demais possam opinar, e os famosos tratamentos com choque.

Um personagem resume bem a terapia com choque:

"Aquelas almas afortunadas lá dentro estão recebendo uma viagem à Lua de graça. Não, pensando bem, não é completamente gratuita. Você paga pelo serviço com células cerebrais em vez de dinheiro, e todo mundo tem bilhões de células cerebrais disponíveis. Você não sentirá falta de algumas delas."

Jack Nicholson Ator e cineasta americano


O romance é excepcional e fácil de ler. Sem dúvida a sua força não está tanto nos acontecimentos narrados ao longo do livro, mas sim nos personagens criados por Kesey, destacando a Chefona, o Chefe e McMurphy. Personagens que ficarão durante muito tempo na memória dos leitores. O filme é excelente e o livro melhor ainda.

Nota: 10
Gosta de romances que viraram filmes de sucesso? Então leia a resenha de outras grandes obras que viraram filmes:
IT: A Coisa, de Stephen king;
O grande Gatsby- Scott Fitzgerald

sábado, 28 de outubro de 2017

O estrangulador, de Sidney Sheldon



Capa do livro O estrangulador de Sidney Sheldon






A novela "O Estrangulador", ambientada em Londres, gira em torno de um assassino em série que tem por fito estrangular mulheres em noites chuvosas. A polícia inglesa tem por únicas informações, acerca do assassino em série, o fato de ele sempre atacar as suas vítimas em noites chuvosas, estrangulando-as com uma corda.

O sargento Sekio assume o caso, tendo a missão de rastrear o assassino em série, que até aquele momento não havia deixado nenhuma pista referente à sua identidade.

Fotografia de uma cidade em dia chuvoso


O contato do sargento Sekio com Akiko, uma moça que sobreviveu ao ataque, faz com que os dois se apaixonem. Paralelamente, o assassino decide procurá-la, pois ela viu o seu rosto. Com isso, temos o coração da trama policial de Sheldon.

Análise de O estrangulador


Diferente de muitos romances de mistério policial, nos quais não sabemos quem é o assassino, neste logo nas primeiras páginas o conhecemos e ainda descobrimos o porquê de ele matar as suas vítimas em noites chuvosas. Com isso, a emoção da novela fica pelo embate entre ele e o sargento Sekio, que vai aos poucos montando as peças do quebra-cabeça das motivações do assassino.

No geral, a novela é uma boa história policial, sendo uma leitura leve e descompromissada, podendo ser realizada em um único dia. O fato de não ter lapidado os personagens, bem como as suas motivações, faz com que a novela seja apenas regular, porém um bom passatempo.