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domingo, 10 de setembro de 2017

A longa Marcha, de Stephen King


Capa do livro A longa Marcha, de Stephen King


Stephen King publicou alguns de seus livros com o pseudônimo de Richard Bachman. Segundo ele, o objetivo era testar o quão era capaz de vender livros sem a influência de seu nome; ou seja, ele queria saber até que ponto era capaz de criar boas histórias sem que a sua fama influenciasse a avaliação do leitor. A Longa Marcha foi um desses livros.

Publicado em 1979, se tornou um dos livros preferidos entre os leitores de King, sempre citado entre os melhores nas diversas listas publicadas na internet.

Fotografia de Stephen King


Resenha de A longa Marcha, de Stephen King

A história pode ser considerada uma distopia, pois ela se passa em um futuro sombrio;nou seja, difere da visão de futuro no qual a humanidade estaria caminhando a passos largos para um mundo melhor, no qual a humanidade finalmente realizaria o sonho do paraíso na Terra.

Na história, somos apresentados, logo no início, ao personagem Garraty, um rapaz de 17 anos nascido e criado no Maine, que se prepara para participar de um reality show intitulado "A Longa Marcha".

Basicamente, o reality show se resume a um grupo de 100 jovens entre 15 e 18 anos que iniciam uma caminhada no estado do Maine, indo em direção ao sul da América. Os competidores não podem parar de andar e nem sair da estrada. Cada vez que, por qualquer motivo, algum jovem para de andar, ele é advertido; e, após três advertências, é eliminado. O último que continuar andando vence e ganha o prêmio, que é o que ele quiser.

A Longa Marcha é transmitida pela televisão, sendo o evento de maior audiência na TV americana. Ao longo do trajeto, milhares de americanos se posicionam na beirada da estrada para acompanhar ao vivo a marcha; ou seja, é o principal evento de entretenimento dos Estados Unidos.

Arte do livro A longa Marcha, de Stephen King. Uma estrada e pessoas cansadas caminhando

O que torna a Longa Marcha terrível é o fato de que todo jovem que não consegue mais andar é literalmente eliminado. Soldados armados de metralhadoras acompanham o trajeto dos garotos, sendo responsáveis por aplicar as advertências e eliminar, através de uma saraivada de balas, os competidores que, porventura, parem.

Durante a leitura, duas questões se apresentam ao leitor, sendo elas: por que jovens aceitariam participar de um reality show desses? E por que as pessoas gostariam de acompanhar esse entretenimento macabro?

Stephen King vai, no transcorrer das páginas, contando aos poucos a história de vida dos principais personagens, mostrando como e por que eles se inscreveram na Longa Marcha; junto a isso, ele vai, ao descrever os espectadores da caminhada, mostrando o quão capazes são as pessoas de, apesar desse verniz de racionalidade e civilização, cultuarem o grotesco e o sórdido.

Fica evidente que os espectadores acompanham a marcha com a expectativa de ver os rapazes serem eliminados, e ficamos a todo o momento com a impressão de que eles perderam a noção de que aquilo é real; ou seja, não são mais capazes de separar a fantasia da realidade.

O livro é muito bom, sendo capaz de prender a atenção do leitor até o seu desfecho. O curioso é que o leitor acaba partilhando com a multidão da posição de espectador desse entretenimento macabro, torcendo por determinados personagens e odiando outros.

A Longa Marcha é uma história incrível e envolvente como só Stephen King é capaz de criar, sendo um livro fundamental para os fãs do gênero do terror.

Nota: 9.

Gosta de Stephen King? Leia outras resenhas de obras do autor:
Mr. Mercedes, de Stephen King;
IT: A Coisa, de Stephen king.







sexta-feira, 16 de junho de 2017

Mr. Mercedes, de Stephen King



Capa do livro Mr. Mercedes, de Stephen King


O romance, publicado em 2013, foge da temática que consagrou Stephen King como o mestre do terror contemporâneo. Neste romance, King desenvolveu o famoso modelo de romance policial centrado na dualidade entre o herói, um policial aposentado, e um vilão, que se julga superior a tudo e todos.

Desenho de um homem segurando uma arma

Resenha de Mr. Mercedes


Logo no começo do romance, entendemos o porquê de se chamar Mr. Mercedes. Um assassino em série pratica um atentado atropelando, com um Mercedes, pessoas que estavam em uma fila de emprego. O detetive Hodges, prestes a se aposentar, investiga o atentado sem ser capaz de achar o culpado.

Algum tempo após a aposentadoria, vivida entre ficar na frente da televisão e pensar em suicídio, Hodges recebe uma carta do assassino do Mercedes. Nessa carta, o assassino zomba de Hodges e o convida a tentar, mais uma vez, pegá-lo. Hodges não leva a carta à polícia, tomando para si a missão de pegar o assassino do Mercedes.

Esse tipo de romance policial difere do tipo consagrado por Agatha Christie, que era centrado no mistério de descobrir quem é o assassino. No livro de King, logo nas primeiras páginas temos contato com o assassino, sabendo os seus motivos, bem como os seus futuros planos. Com isso, a emoção está presente na caçada, ora empreendida pelo detetive aposentado Hodges, ora pelo próprio assassino, que planeja matar Hodges.
Desenho de guarda-chuva

O livro se desenvolve em um ritmo acelerado, sendo essa uma característica dos romances policiais, sem se alongar nas descrições, privilegiando, com isso, a ação. O romance é repleto de clichês, tais como: o policial aposentado depressivo, o assassino com complexo de Deus, policiais totalmente perdidos ou sem muito interesse em ouvir o detetive aposentado, etc.

Apesar desses clichês, a história se desenrola de forma agradável e emocionante, perdendo um pouco o rumo na segunda metade, onde uma série de acontecimentos coloca em xeque a decisão do detetive aposentado de deixar a polícia de fora, inclusive colocando a vida de um adolescente e de uma mulher com problemas mentais em risco, devido à teimosia — não explicada de forma consistente — de deixar a polícia de fora.

No geral, o livro é bom e o leitor tem tudo para se sentir preso pela história até o seu desfecho; contudo, sem dúvida, existem romances policiais superiores a Mr. Mercedes.







terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

IT: A Coisa, de Stephen king

Capa do livro IT: A Coisa, de Stephen king

O romance, publicado em 1986 por Stephen King, gira em torno de um grupo de amigos unidos pela promessa de destruir uma poderosa força maligna que assola a cidade de Derry, no Maine. Essa cidade fictícia foi palco de outros romances de King, entre eles: Insônia, Saco de Ossos e O Apanhador de Sonhos.

Imagem do filme IT: A Coisa. Um palhaço com garras

Resenha de It


Um grupo de crianças, devido à adversidade de serem perseguidas por um valentão chamado Henry Bowers, cria um grupo intitulado "Clube dos Perdedores" e se reúne em uma área florestada da cidade para brincar e se proteger dos valentões da cidade.

Contudo, os valentões não são o único perigo ao qual as crianças estão sujeitas. A cada cerca de 27 anos, assassinatos brutais, principalmente de crianças, ocorrem na cidade sem que ninguém descubra o assassino. Relatos de crianças apontam para a existência de um palhaço assustador habitando nas tubulações do esgoto da cidade, mas os adultos não dão muito crédito a esses relatos, não relacionando-os com as mortes.

O assassinato de George, irmão de Bill Denbrough — um membro do Clube dos Perdedores —, juntamente às experiências paranormais vivenciadas pelos membros do clube, faz com que eles decidam se unir para combater essa entidade que se apresenta, entre outras formas, na figura de um palhaço.

"George esticou a mão. O palhaço agarrou seu braço. E George viu o rosto do palhaço mudar. O que ele viu então era terrível o bastante para fazer suas piores fantasias da coisa no porão parecerem doces sonhos; o que ele viu destruiu sua sanidade em um golpe de uma garra".

Cena do filme IT: A Coisa. Um palhaço com balões

Apesar de a narrativa iniciar-se nos anos cinquenta com a morte do irmão de Bill, ela se desenrola, no começo, cerca de vinte anos depois, mostrando os membros do clube na fase adulta de suas vidas. Todos os membros do clube, com exceção de um, não residem mais na cidade e nem se lembram do Clube dos Perdedores. O membro que permaneceu na cidade, Mike Hanlon, ficou com o encargo de vigiar no caso de a coisa retornar, pois todos os membros, ao enfrentarem a coisa quando crianças, fizeram a promessa de retornarem para enfrentá-la caso ela retornasse.

Esse dia chegou, e Mike liga para todos os membros do clube lembrando-lhes da promessa feita vinte anos antes. Com isso, a narrativa se desenrola nos anos oitenta com os membros do clube se dirigindo para a cidade, acompanhada de muitos flashbacks deles crianças. Tanto o enfrentamento da entidade chamada por eles de "a Coisa" na infância quanto na fase adulta são narrados na parte final do livro. Com isso, King vai durante todo o romance narrando paralelamente os acontecimentos dos dois momentos da vida dos personagens.

Principalmente nos relatos da infância dos personagens, King vai revelando a personalidade, bem como os medos de cada membro, fazendo com que o leitor crie um laço de afetividade com eles. Com isso, a história não se resume apenas ao enfrentamento da Coisa, mas também ao processo de amadurecimento e aos vínculos proporcionados pela amizade deles. As experiências vivenciadas por essas crianças são fundamentais para o entendimento dos adultos nos quais elas se tornaram e para o sucesso na empreitada de destruir a Coisa.

O romance pode ser um desafio para o leitor devido ao seu tamanho, bem como à narrativa em flashbacks; contudo, o romance pode ser considerado uma das melhores histórias do gênero do horror já escritas, sendo uma leitura obrigatória para qualquer fã do gênero.


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