sexta-feira, 1 de maio de 2026

A porta no Muro, de H.G. Wells

 

Capa do livro a Porta no Muro. Uma Porta Branca em um fundo verde.

A porta no muro é um conto publicado por um dos grandes nomes da ficção científica e fantasia, o escritor britânico H. G. Wells.

Esse conto segue uma fórmula popular nos romances do século dezenove: um relato dentro de outro relato. Duas pessoas se encontram, e uma história fantástica, baseada em uma experiência pregressa, é relatada.

Esse tipo de narrativa aproxima o leitor da história, no sentido de nos colocar como ouvintes, junto com o narrador. Duas épocas distintas são apresentadas: o relato do passado e o momento da narração da história.

Enredo de "A Porta no Muro"

Após o encontro entre dois amigos, começa uma narrativa sobre uma porta verde em um muro branco que chama a atenção de uma criança, que decide abri-la.

Atrás dela, o menino encontra um mundo de contos de fadas, com animais ferozes dóceis, pessoas agradáveis e felizes e um ambiente de paz.

Essa criança cresceu e tornou-se um político de notoriedade no Reino Unido. Ele confidencia a um amigo o mistério que envolve essa porta, que parece não ser percebida por muitos, como se esperasse o momento certo e a pessoa certa para se revelar.

Análise da obra

O conto foi publicado em 1906 e tem por tema central uma porta capaz de transportar alguém escolhido para outra realidade, proporcionando uma fuga dos problemas e dilemas do nosso mundo.

Uma porta pode significar, no imaginário popular, uma nova oportunidade. Na teologia cristã, a porta simboliza a salvação, sendo Jesus a porta e o caminho para uma outra vida que promete novas felicidades; contudo, é uma porta pela qual só se passa uma vez, sem oportunidades de retorno, ao contrário da porta do relato, que se apresenta várias vezes no transcorrer da vida do personagem.

No conto, a porta também leva a um mundo novo, uma fuga da realidade opressora ou a possibilidade de vivenciar o desconhecido.

O personagem principal é um menino que vive em um ambiente desestruturado. A perda da mãe e a falta de conexão com o pai tornam a vida do menino cinza.

Apesar de a porta lhe oferecer um outro mundo, vemos, no transcorrer da história, que, devido às questões da vida, ele vai retardando o momento de retornar àquele mundo mágico. A porta só se apresenta em momentos em que o personagem tem que escolher entre continuar a perseguir seus objetivos neste mundo ou abandonar tudo e seguir para outra realidade.

Apesar de a nossa realidade se mostrar, às vezes, difícil de ser suportada, encontramos dificuldade para abandoná-la e muitas vezes acabamos permanecendo presos à realidade que se apresenta, sem ter a coragem de atravessar a porta e mudar a nossa história.

Talvez, o fato de sempre acreditarmos que teremos uma nova oportunidade nos aprisione em um cotidiano que não nos satisfaz.

Será que sempre teremos uma próxima vez?

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